domingo, 23 de junho de 2013


SEMANA DE 24 A 28 DE JUNHO

O professor está preparado para esta mudança?

Essa é a pergunta que vai orientar a nossa aula de hoje.
Iniciando a nossa aula
Comecemos com uma reflexão pertinente ao tema:
“A tecnologia não é um destino, mas uma cena de luta, quando escolhemos as nossas tecnologias nos tornamos o que somos, o que, por sua vez, configura o nosso futuro”. (Sancho, 1998, p.34)
Com a chegada da mediação pedagógica com a utilização de Tecnologias de Informação e Comunicação à sala de aula presencial como o professor pode atuar? Quais são as grandes diferenças encontradas.
Bastos (1988, p. 32) define tecnologia como “... a capacidade de perceber, compreender, criar, adaptar, organizar e produzir insumos, produtos e serviços. Em outros termos, a tecnologia transcende a dimensão puramente técnica, ao desenvolvimento experimental ou à pesquisa em laboratório; ela envolve dimensões de engenharia de produção, qualidade, gerência, marketing, assistência técnica, vendas, dentre outras, que a tornam um vetor fundamental de expressão da cultura das sociedades”.
E os cursos de formação de docentes? Eles acompanharam essas mudanças?

Convidamos você a assistir um vídeo da palestra realizada em fevereiro de 2012 durante a Jornada Pedagógica dos professores presenciais e ministrantes do Centro de Mídias de Educação do Amazonas, cujo tema geral foi: Didática e Organização Curricular do Ensino Mediado por Tecnologias.
Ele pode ser assistido em http://www.youtube.com/watch?v=qmN5VIZbNAQ 
O livro “El profe Virtual” é muito interessante para os que, como nós, estudamos esse tema. Os que dominam a leitura em espanhol pode acessá-lo gratuitamente e na íntegra em  http://www.slideshare.net/profevirtual/el-profe-virtual

Discutindo alguns pontos relativos à formação de professores para a inserção das TIC em sua prática
“Quando se fala em tecnologias na escola, tem se preocupado muito com questões técnicas, relativas aos equipamentos, deixando de lado o elemento central de qualquer ato pedagógico, que é o professor”. (BRITO e PURIFICAÇÃO, 2006, P. 27).


Elencamos algumas questões sobre a formação docente e que gostaríamos que você refletisse e trocasse com os seus colegas à luz do que estudamos até agora:
n  Um curso de formação de professores deve proporcionar a eles o domínio dos aspectos técnicos e intelectuais.
n  As necessidades reais de cada professor devem ser levadas em conta em um curso de formação.
n  As máquinas por si só não contribuem para a evolução e o sucesso dos processos de ensino e aprendizagem.
n  Para que a prática pedagógica se modifique são necessárias as constantes reflexão e ação.

Os “dez mandamentos” para o professor nos dias de hoje


José Carlos Antonio, em um artigo do Blog “Professor Digital” apresenta dez novos mandamentos para o professor atuar utilizando a mediação das TIC:
Já foi o tempo em que você precisava aprender tudo antes para, somente depois, poder ensinar um pouco do que sabia aos seus alunos, ou seja, para “passar” o seu conhecimento para eles. Os novos paradigmas de que você precisa são bastante diferentes daqueles que você tinha quando aprendeu com seus velhos professores. A seguir vão 10 “novos” (talvez nem tanto) paradigmas de que você precisará para os dias atuais:
1. Aprender enquanto utiliza, e utilizar enquanto aprende!
Você não precisa de um curso para aprender a usar o Twitter, o YouTube, o Google Docs ou as demais ferramentas para, somente depois, poder utilizá-las. Você só precisa começar a usá-las e, então, precisa entender que é utilizando-as que você aprenderá a utilizá-las cada melhor.
2. Aprender errando e corrigindo!
As ferramentas da Web 2.0 e as TICs em geral “admitem o erro como parte da aprendizagem”, por isso não se preocupe em fazer tudo certo já da primeira vez (ou da segunda, ou da terceira). Se você errar, não tem problema, não tem punição, você aprendeu! Se não der certo na primeira vez, tente de novo.
3. Explorar novas maneiras de aprender!
A aprendizagem das novas tecnologias e suas ferramentas não é linear. Não há mais “um passo antes do outro”. Assim como você pode navegar na internet por links (hipertexto!), você também pode aprender em pequenas doses, em passos não seqüenciais, explorando o que lhe parecer melhor naquele momento e criando seu próprio percurso de aprendizagem. Entenda isso como uma hiperaprendizagem.
4. Integrar-se às redes sociais e aprender colaborativamente!
Há livros, manuais, tutoriais e mesmo cursos para se aprender qualquer coisa que você quiser, e todos eles estão disponíveis na internet, mas a forma mais eficiente de aprender algo que você ainda não sabe, e nem sabe onde encontrar a resposta, consiste simplesmente em “perguntar para outras pessoas”! Quer dar seus primeiros passos no Twitter e não sabe por onde começar? Comece perguntando para alguém que já sabe! O conhecimento não está mais apenas nos livros, ele também está nas pessoas!
5. Explorar possibilidades e ser criativo!
Você pode ler muitos livros sobre o uso de certa ferramenta ou TIC, pode assistir a palestras, participar de simpósios, congressos, redes sociais, etc., e trocar idéias com pessoas que já utilizam essa ferramenta ou tecnologia. Tudo isso irá lhe ajudar bastante a aprender sobre o uso das TICs, mas você poderá obter resultados ainda melhores se o tempo todo perguntar para si mesmo coisas como: “o que eu posso fazer com isso? Como eu posso usar o Twitter para mim mesmo? E com os meus alunos?”. Só você conhece melhor que todos os outros a sua realidade, as suas necessidades e os seus próprios desejos.
6. Ser autônomo, não esperar passivamente por ajuda e nem desistir sem antes tentar!
Há pessoas que desistem de algo sem nem mesmo tentar antes. Ficam eternamente à espera de alguém que lhes mostre todos os caminhos, que lhes dê todas as respostas (corretas!). Não seja uma delas. Respostas perfeitas e pessoas que as saibam dar já não existem mais. Se tiver uma idéia que “gostaria que desse certo”, tente implementá-la. Se algumas tentativas falharem, não desista, isso não se chama “fracasso”, chama-se “aprendizagem”!
7. Aprender a ter prazer na aprendizagem!
Assim como os alunos não aprendem facilmente aquilo que eles desgostam, os professores também reagem da mesma forma. Só aprendemos coisas que queremos aprender, coisas que nos dão alguma satisfação, algum prazer, quando a aprendemos. Por isso, se você não aprender a ter prazer em dar uma aula melhor usando um novo recurso, nunca vai aprender a usar o recurso, e nem vai melhorar sua aula. E o que é pior: se você não aprende com prazer, então também não ensina com prazer e, por isso mesmo, não desperta o prazer no seu aprendiz. Tudo o que fazemos apenas por obrigação acaba caindo na vala comum da mediocridade. Ensino é paixão e o professor apaixonado pelo bom ensino é a melhor tecnologia que existe para ensinar.
8. Aprender a compartilhar conhecimento, dúvidas e sonhos!
Não basta aprender, não basta ser capaz de fazer; é preciso “fazer de fato” e compartilhar o conhecimento para que outros aprendam e façam. É preciso sonhar grande! Se você aprendeu como usar o Twitter, experimentou usá-lo e até já colecionou algumas dicas, então é hora de usar o potencial dessa ferramenta para compartilhar! Compartilhar seu conhecimento sobre a ferramenta, mas não só isso, pois agora você poderá compartilhar uma infinidade de outros conhecimentos usando essa ferramenta como instrumento de ensino. Você também faz parte da construção dos novos conhecimentos.
9. Aprender a ensinar o outro a aprender a aprender!
Para “estar atualizado” não é preciso ter “todas” as informações, mas é preciso aprender a encontrá-las, compreendê-las, utilizá-las, modificá-las, expandi-las e compartilhá-las. E é exatamente isso que precisamos ensinar às novas gerações! E não é nada fácil ensinar ao outro aquilo nem nós mesmos sabemos; por isso precisamos aprender a aprender antes de tentar ensinar isso aos nossos alunos. Se você mesmo não se sentir capaz de aprender, nunca vai desenvolver essa competência em seus alunos.
10. Aprender a estar eternamente insatisfeito!
Se você acha que esses “novos” paradigmas vão resolver o seu problema, se acha que eles bastam, ou apenas concorda com eles, sem ressalvas, então, talvez você não tenha entendido nada! Todos esses paradigmas juntos significam apenas que cabe a você compreendê-los, aplicá-los, reformulá-los, ampliá-los, reconstruí-los e, então, compartilhar com outros a “sua versão” deles. Aceite-os apenas como um desafio para que você mesmo possa reescrevê-los e compartilhá-los com outras pessoas.
 Uma tarefa...
Elabore mais um mandamento e acrescente-o à lista elaborada pelo autor.

Encerrando a nossa aula... Estágios evolutivos da apropriação tecnológica pelo professor



A apropriação de que falamos não acontece de um momento para outro, mas em cinco estágios, de forma progressiva e gradual. São eles:
Estágio
Exemplos do que fazem os professores
Entrada
Aprendem as habilidades básicas para lidar com Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC).
Adoção
Usam as TIC nas práticas pedagógicas tradicionais
Adaptação
Integram as TIC às atividades de sala de aula, principalmente com foco na produção dos alunos.
Apropriação
Focam o trabalho cooperativo, projetos de aprendizagem e interdisciplinaridade, incorporando as TIC quando ela é necessária, como uma entre muitas ferramentas.
Invenção
Descobrem novas formas de utilizar as ferramentas e combinam múltiplas tecnologias.

Referências bibliográficas
ANTONIO, José Carlos. As TICs, a Escola e o Futuro. Professor Digital. Disponível em: http://professordigital.wordpress.com/2011/01/20/as-tics-a-escola-e-o-futuro.
BASTOS, João Augusto de Souza. Educação Tecnológica: conceitos, características e perspectivas. In: Revista Tecnologia e Interação. Curitiba: CEFET-PR, 1998.
BRITO Gláucia da Silva. PURIFICAÇÃO, Ivonélia da. Educação e novas tecnologias: um re-pensar. Curitiba: Ibpex, 2006.
SANCHO, Juana Maria. Para uma Tecnologia Educacional. Porto Alegre: Artmed, 1998.



sábado, 15 de junho de 2013


SEMANA DE 17 A 21 DE JUNHO

Queridos alunos, 

Teríamos uma aula presencial na quarta-feira, dia 19 de junho, para a discussão dos resultados parciais dos trabalhos dos grupos.

No entanto, temos um jogo do Brasil agendado para a tarde do mesmo dia, além da suspensão das aulas no dia 25, em função da realização de um jogo no Maracanã.
Vários alunos alertaram a possibilidade de termos o esvaziamento do nosso encontro e eté mesmo da suspensão do expediente na UERJ.

Resolvi então disponibilizar um excelente material de leitura, que pode ajudá-los na elaboração dos trabalhos finais. Trata-se do Boletim nº 18 do "Salto para o Futuro" cujo tema é "Educação Digital e Tecnologias da Informação e da Comunicação".
Trata-se de uma leitura agradável, de linguagem simples. 

Chamamos especial atenção para o terceiro tópico da coletânea: "Formação para Educadores", da autoria de José Manuel Morán.

O texto completo da coletânea pode ser acessado em 
http://www.tvbrasil.org.br/fotos/salto/series/173815Edu-digital.pdf

Aproveito para lembrar que a nossa abordagem da tecnologia aplicada à mediação pedagógica não exclui a ideia de que todo o processo que envolve seres humanos sempre envolve a dimensão do sensível.Assim, sugiro o vídeo de uma belíssima música dos Paralamas do Sucesso chamada "Tendo a Lua", que inclui o belíssimo Verso "O céu de Ícaro tem mais poesia que o de Galileu".

http://letras.mus.br/os-paralamas-do-sucesso/30133/



Assim é a aplicação das TIC à Educação: o progresso científico almejado por Galileu associado à beleza da mitologia do "voo de Ícaro" para a liberdade do conhecimento.

Bom final de semana para todos!!!

domingo, 9 de junho de 2013


SEMANA DE 10 A 14 DE JUNHO

Síntese das teorias estudadas


Na aula de hoje vamos estabelecer uma comparação entre as quatro teorias estudadas até agora principalmente no que diz respeito aos conceitos de aprendizagem e de mediação.
Para isso sugerimos que você faça uma rápida releitura das quatro aulas anteriores
Vamos lá, então...
O conceito de mediação tem sua abordagem exponencial em Vygotsky, que teve com principal objetivo construir uma psicologia e uma pedagogia no quadro teórico-epistemológico do marxismo.



Para Vygotsky:
Mediação em termos genéricos é o processo de intervenção de um elemento intermediário numa relação; a relação deixa, então, de ser direta e passa a ser mediada por esse elemento (OLIVEIRA, 2002, p. 26).
Acrescenta, além disso, que:
O processo de mediação, por meio de instrumentos e signos, é fundamental para o desenvolvimento das funções psicológicas superiores, distinguindo o homem dos outros animais. A mediação é um processo essencial para tornar possíveis as atividades psicológicas voluntárias, intencionais, controladas pelo próprio indivíduo (Op. Cit., p. 33).

1. O conceito de aprendizagem




Teórico

Aprendizagem é...

Bandura
A aprendizagem é um processo que ocorre através da observação e imitação social de modelos no decorrer das relações interpessoais. O indivíduo aprende comportamentos novos ou modifica comportamentos existentes em virtude das respostas dos outros (avaliação do meio social).
Ausubel
A aprendizagem real deve ser significativa, o que ocorre quando uma nova ideia se relaciona aos conhecimentos prévios do indivíduo. Para que isso aconteça é necessário que as situações de aprendizagem propostas pelo professor façam sentido, para que o aluno amplie, avalia, atualize e reconfigure a informação anterior, transformando-a em nova.
Gagné
A aprendizagem ocorre através do processamento da informação, uma mudança de estado interior que não pode ser atribuída à maturação e que se manifesta através da mudança de comportamento e na persistência dessa mudança.
Bruner
Aprendizagem é a compreensão geral da estrutura de uma determinada matéria através da exploração de alternativas que o ambiente ou conteúdo de ensino deve proporcionar, para que o aluno possa inferir relações e estabelecer similaridades entre as ideias apresentadas, favorecendo a descoberta de princípios ou relações.


2. O conceito de mediação pedagógica

Agora vamos comparar o conceito de mediação pedagógica que encontramos nos quatro teóricos estudados.
Sugerimos antes que você assista a um vídeo chamado “Mediação pedagógica e o uso das tecnologias”. Ele apresenta um mapa conceitual animado através de um software livre que vem sendo considerado substitutivo do Powerpoint, chamado PREZI. Ele pode ser baixado gratuitamente em https://prezi.com/desktop/.

Experimente e faça algumas simulações de apresentações utilizando o software.
Veja o vídeo:


 Nos quatro autores temos:

Teórico

Mediação é...
Bandura
A grande “ferramenta de mediação” para Bandura é o professor, que atua como modelo para a observação e a modelagem do comportamento do aluno. Ele é promotor da auto eficácia do aluno, uma avaliação subjetiva que fazemos a respeito das nossas capacidades diante de  determinadas situações levando em conta nossa bagagem pessoal e as diferentes  condições contextuais que se apresentam ao longo da nossa trajetória como sujeitos  modificadores e modificados pelo ambiente..
Ausubel
Para o teórico a mediação é feita principalmente pelo material considerado significativo pelo aluno. Ele precisa apresentar conceitos básicos, “subsunçores”, onde vão ancorar os conhecimentos novos para a construção de novos conhecimentos.
Gagné
A mediação para este autor consiste no processamento da informação captada pelos órgãos sensoriais (registro sensorial), seu armazenamento na memória de curta duração e o acoplamento à memória de longa duração.
Bruner
Para Bruner a mediação consiste na construção de “andaimes” (scaffolding, originalmente) na interação em sala se aula. No processo de construção do conhecimento o aluno segue sozinho até certo ponto determinado por ele (desenvolvimento real) e o adulto poderá dar “pistas de contextualização” (através da linguagem, do ensino da estrutura da matéria, da adequação à etapa de representação do mundo em que se encontra quem aprende) que o façam progredir em sua cognição no momento em que necessitar do auxílio dele (desenvolvimento potencial). É necessário que o professor desenvolva a prática de promover pistas que levem os alunos a refletirem sobre o conhecimento e que os façam desvendá-lo com autonomia.

3. Encerrando a nossa aula

Vamos terminar a nossa aula com uma pequena “brincadeira”.
A seguir você vai encontrar quatro charges, cada uma relacionada ao referencial teórico de um dos quatro autores que estudamos. Coloque, ao final de cada uma, o nome desse teórico.
Algumas charges podem ter relação com mais de um teórico, mas basta que você possa justificar a sua escolha por um deles.
Ao final apresentamos um “gabarito” da resposta correta.
Divirta-se!!!

1ª charge:

Teórico: ...................................

Conceito a que a charge se relaciona - ....................................



2ª charge:



Teórico: ...................................

Conceito a que a charge se relaciona - ....................................

3ª charge:


Teórico: ...................................

Conceito a que a charge se relaciona - ....................................



4ª charge:


Teórico: ...................................

Conceito a que a charge se relaciona - ....................................


RESPOSTA ESPERADA


CHARGE


AUTOR


CONCEITO
Bandura
Aprendizagem através da imitação de modelos.
Bruner
Aprendizagem por descoberta.
Ausubel
Aprendizagem significativa.
Gagné
Processamento da informação para a construção de novos conhecimentos.

Referências bibliográficas

OLIVEIRA, Marta Kohl. Vygotsky: aprendizado e desenvolvimento, um processo sócio histórico. São Paulo: Scipione, 2002.

domingo, 26 de maio de 2013


SEMANA DE 27 A 31/05

TÓPICO 6

Bruner, a constituição da mente e a construção de significados


Olá, querido aluno, esta semana vamos estudar juntos o quarto teórico da aprendizagem previsto na ementa desta disciplina: Jerome Seymour Bruner. Ele afirmava que qualquer assunto pode ser ensinado com eficiência, a qualquer pessoa, em qualquer estágio de desenvolvimento.
ENSINAR = apresentar a estrutura do conteúdo, de acordo com a etapa de desenvolvimento de quem aprende.


Um pouco da biografia do teórico




Jerome Brunet nasceu em 1915 em Nova York, formou-se em psicologia pela Universidade de Duke, em 1937, e posteriormente em 1941 em Harvard.
Em 1950 trabalhou em Harvard como professor no Departamento de Relações sociais, onde com outros profissionais formou um grupo de estudo interdisciplinar das ciências sociais. Logo, após criou um centro de estudo cognitivo. Por esse motivo muitos o consideram “pai da psicologia cognitiva.
Desafiou o paradigma do behaviorismo de Skinner criticando os postulados que focavam apenas nos fenômenos observáveis e a aprendizagem por condicionamento.




Desenvolveu a teoria da estrutura cognitiva (esquemas e modelos mentais) e acredita que o processo de aprendizagem ocorre internamente.
Bruner pesquisou o trabalho de sala de aula, pesquisou o desenvolvimento infantil e escreveu importantes trabalhos sobre educação. Tornou-se muito conhecido no âmbito da Pedagogia por sua participação no movimento de reforma curricular nossa Estados Unidos que veio a ser conhecido como Revolução Cognitiva, na década de 1960.
Membro da academia Americana de Artes e Ciências vive em Nova York, proferindo palestras por alguns estados dos Estados Unidos, e pesquisa uma nova teoria de aprendizagem na qual deve existir uma interação entre teoria e realidade.
Você pode complementar essa biografia assistindo o vídeo disponível em




Alguns conceitos importantes do teórico
1.   Aprendizagem por descoberta
Jerome Bruner preocupava-se em promover a participação ativa do aluno no processo de aprendizagem, enfatizando a "aprendizagem por descoberta". Destaca a exploração de alternativas que o ambiente ou conteúdo de ensino deve proporcionar, para que o aluno possa inferir relações e estabelecer similaridades entre as ideias apresentadas, favorecendo a descoberta de princípios ou relações.
Em sua teoria de Bruner leva em consideração a curiosidade do aluno e o papel do professor como instigador da mesma, sendo denominada teoria (ou método) da descoberta.



Sobre essa forma de aprendizagem disse Bruner, exemplificando com uma situação de sala de aula:
"O conceito de números primos parece ser mais prontamente compreendido quando a criança, através da construção, descobre que certos punhados de feijões não podem ser espalhados em linhas e colunas completas. Tais quantidades têm que ser colocadas em uma fila única ou em um modelo incompleto de linha-coluna no qual existe sempre um a mais, ou alguns a menos, para preencher o padrão. Estes padrões, que as crianças aprendem, são chamados de primos. É fácil para a criança ir desta etapa para o reconhecimento de que uma denominada tabela múltipla é uma folha-registro das quantidades em várias colunas e linhas completadas. Aqui está a fatoração, multiplicação e primos, em uma construção que pode ser visualizada." (BRUNER, 1973, p. 197).

2.   Estágios de representação do mundo pelo indivíduo

Seu enfoque do desenvolvimento considera que a criança, em diferentes etapas da vida, representa o mundo com o qual interage segundo três estágios:
a)      Enativo (motor) - a criança representa o mundo (e os objetos) apenas pela ação que exerce sobre eles, através de movimentos, de respostas motoras.


a)      Icônico - já consegue representar mentalmente os objetos que a cercam, através da organização visual, percepção do ambiente e formação de modelos.


a)      Simbólico - utiliza símbolos, sem necessidade de imagens ou ação.



Esses modelos de realidade desenvolvem-se em função da informação proveniente do meio e da superação que o sujeito vai alcançando em relação e eles, graças à sua atividade pessoal.
3.   Currículo em espiral
Na área do ensino e da aprendizagem propõe que o currículo seja organizado em espiral, para que o aluno veja o mesmo tópico em diferentes níveis de profundidade e modos de representação.
Esquematicamente ele pode ser apresentado assim:






Exemplificando, temos:
Na construção do conceito de ferrugem, temos no estágio dos “lugares às coisas” a experiência concreta da criança com o objeto prego.


No estágio das “coisas às coisas essenciais” o conceito de que o prego é feito de ferro e a exposição do mesmo ao frio, água, ar, escuro. No estágio da “prova científica das coisas essenciais” a observação da formação da ferrugem e dos seus efeitos sobre o prego. A partir daí é fácil chegar à generalização do conceito.



4.   Quatro características do ensino
  • Œ    Deve apontar experiências que desenvolvam a predisposição para a aprendizagem (motivação).
  •         Deve especificar uma “estrutura ótima” de conhecimento.
  • Ž        Deve estabelecer a sequência mais eficiente para apresentar os conteúdos.
  •         Deve definir uma estrutura de reforços.


Compare as duas situações abaixo e reflita sobre a aprendizagem por descoberta e sobre as quatro características fundamentais do ensino, de que Bruner fala:

SITUAÇÃO 1



SITUAÇÃO 2



“A pedagogia moderna está partindo cada vez mais em direção à visão de que a criança deveria estar ciente de seus próprios processos de pensamento e que é essencial, tanto para o teórico da pedagogia, quanto o professor, ajudá-la a tornar-se mais cognitiva – a estar tão ciente de como realiza sua aprendizagem e pensamento quanto da matéria que está estudando. Atingir habilidade e acumular conhecimento não basta. Pode-se ajudar o aluno a atingir o domínio total ao refletir também sobre como ele está realizando seu trabalho e de que forma sua abordagem pode ser melhorada. Equipá-lo com uma boa teoria da mente – ou com uma teoria do funcionamento mental – constitui uma parte de ajudá-lo a fazê-lo”. (BRUNER, 2002, p. 68).

5.   O conceito de mediação em Bruner





Bruner não enunciou um conceito de mediação, mas ele pode ser claramente percebido na sua obra. Escolhemos três indicativos do que acabamos de dizer:

1º) O autor atribui ênfase à linguagem, em todas as suas formas, como o principal meio de representação simbólica da realidade e, consequentemente, de mediação. O homem constrói o conceito que adquire do mundo através dos "símbolos linguísticos" (palavras) aos quais, gradualmente, vai atribuindo significados ao nível subjetivo e consensual.




2º) A prática docente  também pode ser apontada como fundamental mediação na aprendizagem. Bruner valoriza o ato de ensinar e afirma que os mesmos conteúdos (o relevante na matéria de ensino, sua estrutura, ideias e relações fundamentais) devem ser ensinados periodicamente, através do currículo em espiral, avançando na construção do conhecimento, aperfeiçoando as representações mentais de quem aprende.

O professor é um mediador no processo de aprendizagem, permitindo aos alunos a descoberta dos conteúdos a serem abordados, sendo uma fonte motivadora dessa mesma procura. A teoria indutiva de Bruner leva a que o aluno identifique o problema, formule e teste hipóteses. Este tipo de instrução permite desenvolver a cognição, assim como a intuição, a imaginação e criatividade.



3º) Cada uma das etapas de representação do mundo (motora, icônica e simbólica) requer formas de diferentes de mediação da aprendizagem.
Na primeira (motora) a repetição dos movimentos com o objetivo de memorização, os gestos e as ações através do movimento são muito eficazes para recordar acontecimentos. Para as crianças menores a ação é a melhor forma de comunicação, elas preferem mostrar como se faz a dizer como fazer.
Na segunda etapa (icônica) a criança esta em um estágio operacional do pensamento e sua capacidade de reprodução de imagens já esta desenvolvida. Ela pode desenhar sem ter que ver o objeto antes, já consegue demonstrar um objeto através do desenho. Tem fixação de imagens e memória visual concretas e bem definidas.
Na última etapa (simbólica) consegue utilizar símbolos com certa ordem, ver a realidade de forma correta e passar essa informação. Também pode transformar essa realidade através da elaboração de uma nova realidade, traduzindo suas experiências de forma coerente. 

Encerrando a nossa aula
Esperamos que você tenha gostado da aula de hoje e aprendido alguns conceitos da teoria de

Apresentamos alguns livros importantes do autor traduzidos para o português, cuja leitura sugerimos aos que se interessaram pelo assunto:







Referências bibliográficas
BRUNER, J. Going Beyond the Information Given. New York: Norton, 1973.
BRUNER, J. O Processo da Educação. São Paulo: Nacional, 1973.
BRUNER, J. Uma nova Teoria da Aprendizagem. Rio de Janeiro: Bloch, 1976.
BRUNER, J. A Cultura da Educação. Porto Alegre: Artmed, 2001.